Pesquisadores japoneses desenvolvem óculos "anti-Google Glass"

A matéria tem a anti-matéria, Superman a kryptonita verde, e agora o Google Glass tem o anti-Glass?

Pesquisadores no Japão apresentaram uma nova maneira de manter o seu rosto fora dos snapshots tirados por câmeras digitais, smartphones e, possivelmente, pelo Google Glass.
Os pesquisadores equiparam um par de óculos com 11 pequenas luzes próximas ao LED infravermelho, que foram estrategicamente colocadas ao redor da ponte do nariz.

As luzes – visíveis para a maioria das câmeras digitais, mas invisível para os seres humanos – obscurece as áreas do rosto que câmeras e softwares normalmente dependem para identificar um rosto humano.

Se a câmera tentar se concentrar em um rosto, ou um programa de software tentar identificar quem você é, estes óculos farão esse trabalho muito mais difícil, afirmaram os pesquisadores.

Os óculos foram desenvolvidos por Isao Echizen, professor associado ao Instituto Nacional de Informática e pelo professor Seiichi Gohshi, da Universidade de Kogakuin.

O conceito foi originalmente anunciado no final de 2012, e reportamos brevemente a história em seus primeiros dias. Mais recentemente, o site de notícias DigInfo.tv, com sede em Tóquio, captou imagens  dos “óculos privativos” durante uma demonstração pública do aparelho.

Os pesquisadores também apresentaram um segundo par de óculos que usa material refletor para neutralizar dispositivos de imagem não afetados pela luz infravermelha.
Medidas de privacidade físicas como estas também adquirem um novo significado, com os receios de privacidade estimulados pelo software de reconhecimento facial e vigilância onipresente da tecnologia wearable.

Especialisas em privacidade em ação
 
Desde que os seres humanos não podem ver a luz próxima ao espectro infravermelho, apenas máquinas serão impedidas pelas novas especificações. Meros mortais ainda podem reconhecê-lo e podem até não perceber que você está usando um óculos de privacidade.
 Vídeo completo feito pelo DigInfo.tv

Os visores de privacidade são apenas um protótipo, então eles não são algo que você gostaria de usar no dia a dia – o Google Glass parece mera moda quando comparado ao anti-Glass.

No entanto, o anti-Glass pode ser apenas o que a sociedade precisa no que diz respeito a tecnologia pessoal estar transformando toda a população em uma multidão equipada com câmeras de segurança.

No mês passado, cerca de 40 autoridades de proteção de dados de países como Austrália, Canadá, Israel, Nova Zelândia e Suíça expressaram as suas preocupações sobre o Google Glass em uma carta aberta ao CEO da Google,  Larry Page.

Os defensores da privacidade querem saber que  tipo de dados pessoais a Google obtém por meio do Glass, e as questões éticas sobre sobre a “coleta ilícita de informações de outros indivíduos.”

As autoridades também estão preocupadas com o reconhecimento facial. “Embora entendamos que o Google decidiu não incluir o reconhecimento facial no Glass”, as autoridades querem saber “como é que a empresa pretende abordar as questões específicas em torno de reconhecimento facial no futuro.”

No fim de maio, a Google que não iria adicionar a tecnologia de reconhecimento facial no Glass até que houvesse fortes proteções de privacidade.

Mas será que realmente vale a pena comprar um par de óculos especiais apenas para impedir que computadores reconheçam você? Se você dirigir um carro ou tiver um passaporte, o governo já tem a sua face. E quase todos os visitantes estrangeiros para os Estados Unidos são fotografados e têm suas impressões digitais tiradas antes de entrar no país.

O Centro para Democracia e Tecnologia escreveu sobre  suas preocupações sobre reconhecimento facial e privacidade em um relatório no ano passado. O CDT focou não só em questões sobre o uso da tecnologia facial pelo governo, mas também seu uso pela indústria privada.

A tecnologia de reconhecimento facial pode permitir que “qualquer profissional de marketing, agência ou estranho aleatório colete – abertamente ou em segredo – e compartilhe [aquelas] identidades”, disse o CDT. “Os bancos de dados construídos a partir do uso comercial de reconhecimento facial podem ser acessados ou readaptados para a fiscalização da aplicação da lei.”

Ainda não está claro se a tecnologia de reconhecimento facial integrada ao Google Glass ou as seu aplicativo de smartphone favorito vai erradicar a privacidade pessoal. Mas se as preocupações tornam-se fortes o suficiente, estes óculos de privacidade japoneses podem ser o início de um novo mercado para a engrenagem de vigilância pessoal.

Via: IDG Now

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