Como a nova Microsoft vai afetar sua vida e sua empresa

Steve Ballmer, CEO da Microsoft, acaba de tomar a decisão mais importante de sua carreira: anunciou hoje uma reorganização da companhia que, de longe, é muito mais dramática que a feita em 2005, e fez a promessa de tornar a Microsoft uma empresa de “dispositivos e serviços”.
Tem apenas um pequeno problema: nesse momento, a Microsoft é uma empresa de software, de servidores de nuvem e de games que está colocando a ponta dos dedos no cenário altamente competitivo de cloud computing e hardware. Apesar da mudança anunciada por Ballmer hoje não ser tão drástica quanto a conversão repentina à internet pelo ex-CEO Bill Gates no famoso email alertando para a grande onda online em 1995, ela certamente vai balançar a estrutura de cada produto da Microsoft.
Para fazer a transição do passado para o futuro nas nuvens, Ballmer configurou duas grandes divisões de negócios: Cloud and Enterprise Engineering, liderada por Satya Nadella, o atual queridinho da empresa cotado para substituir Ballmer; e Devices and Studio Engineering, liderada por Julie Larson-Green, uma engenheira de software altamente respeitada que também é conhecida por ser o braço direito do ex-Windows Steve Sinofsky.
Apesar de Nadella ter uma longa e ilustre carreira liderando as iniciativas de Server and Tools da Microsoft, a únca experiência de Julie com hardware envolve o tablet Surface – ainda balançando entre bom e ruim. Para quem acompanha a empresa há longo tempo, ela é mais conhecida por ser a força motriz (com Jensen Harris) por trás da mudança radical da interface do Office 2007 e da interface Metro do Windows 8. Oops, de novo, balançando no gosto popular.
Qi Lu mantém controle sobre o Bing e (numa bela esticada organizacional) assume o Office no grupo que agora é conhecido como Applications and Services Engineering. Vale lembrar que Nadella trabalhou antes para Lu.
Em uma manobra “peixe pequeno engole peixe grande”, Terry Myerson fica com o  Windows no grupo Operating Systems Engineering. Myerson, você deve se lembrar, assumiu o Windows Phone quando Ballmer definitivamente moveu Andy Lees para fora do alcance de Sinofsky, em dezembro de 2011. Lees estava encarregado do Windows Phone, Sinofsky queria o Windows Phone, Lees foi mudado para a ala de “special projects” e Myerson assumiu o Windows Phone.
Menos de dois anos depois, o cara que foi levado para tomar conta do Windows Phone agora está encarregado de todo o legado Windows. Sinofsky deve estar bufando (ou não, porque com 14 million de dólares em ações vindo para seu bolso ele provavelmente nem liga.)
Tony Bates, conhecido como Mr. Skype, fica com o planejamento corporativo e uma gorda conta bancária para comprar novas empresas. Tami Reller, atual CFO da divisão Windows, torna-se a principal diretora de uma divisão de marketing independente. Detalhes sobre isso estão bem distantes ainda.
O grupo Cloud and Enterprise de Nadella fica com o Skype (que anteriormente rumores indicavam que seria de Lu) e Dynamics, o que de novo é uma bela esticada, mas não fica com o Windows, que está ficando cada vez mais “nuvem” ao longo do tempo. A área de Devices de Larson-Green fica com serviços de música e TV, levantando a questão de quando um serviço, de fato, torna-se um dispositivo.
A mudança mais importante
 
A mudança mais importante, na minha opinião, vem do reinado do time financeiro. Até ontem, os CFOs da Microsoft se reportavam aos seus chefes de divisão. Ballmer está realinhando as coisas para que os CFOs se reportem diretamente a Hood. Isso limpa o caminho para um bocado de mudanças, incluindo a capacidade de definir metas para divisões de tecnologia sem que estejam amarradas ao planejamento financeiro da companhia.
Uma nova estrutura organizacional na qual os líderes de tecnologia não são responsáveis por métricas dos negócios poderia dar a eles encorajamento suficiente para criar cooperação de verdade. Vamos tentar um exemplo hipotético: fica muito mais fácil comprometer seriamente o líder de tecnologia do Office e o líder de tecnologia do Windows a fazer o que for necessário para lançar muito rápido um fantástico conjunto de apps para o Metro Office se você não fica cobrando deles, como obrigação número 1, bater as metas de vendas e lucros do ano.

Com essa mudança gigante para se desenrolar, o que você – como usuário, corporação ou desenvolvedor – pode esperar? A curto prazo, nada muito complicado. Todas as mudanças importantes que deveriam ter sido decididas este ano já estão escritas em pedra. A reorganização não vai mudar nenhuma delas.

Mas olhando para o próximo ano e além, eu acho que vamos ver um bocado de mudanças, muitas como resultado direto da nova estrutura organizacional e da retirada da responsabilidade sobre o orçamento das mãos das equipes de desenvolvimento e tecnologia.
Com o “engenheiro alfa” responsável por Serviços, pode apostar que Serviços vai aparecer na frente e no centro de cada esforço da Microsoft. Dispositivos – Xbox, Surface, Music e talvez até TV – vão receber o mesmo reforço no braço de pesquisa e desenvolvimento.
Dentro do mesmo raciocínio, é preciso dizer que Windows e Office estão em face de tempos desafiadores. A dominância do Metro no Windows é completa: O homem encarregado do Windows é ele mesmo o tipo de cara que usaria a Metro. Nós que mantínhamos nossas esperaças de que haveria algum progresso na direção do velho Desktop podemos tirar o cavalo da chuva e dar adeus ao sonho.
O Office precisa de uma interface touch real. Isso tem de mudar – e vai num futuro próximo – mas com ele enterrado na estrutura corporativa, é dificil imaginar como o Office vai conseguir respeito suficiente (ou dinheiro, ou equipe) para ganhar uma bela interface touch. Ballmer não parece ver no Office um dos grandes patrimônios da Microsoft, e separá-lo da organização que vai cuidar do Windows faz concluir que ele caminha para uma transição para uma aplicação multiplataforma, independente de sistema operacional. Talvez o Office vá terminar como um produto gratuito que será entregue para cada Windows vendido, quem sabe?
Para empresas casadas com redes Windows locais, um aviso: seus dias estão contados. A inovação real virá com a Microsoft na nuvem. Vocês já sabiam disso, mas agora a reorganização da empresa manda o recado com letras maiúsculas.
Os desenvolvedores precisam começar a sentir de onde vem a fumaça: o Windows vai viver por um longo tempo, mas apps para o Desktop vão ficar cada vez mais parecendo Cobol. Se você ainda não mirou na nuvem (ou iOS ou Android), você está perdendo um daqueles famosos pontos de inflexão. Engraçado como não ouvimos um pio sequer sobre o Silverlight.
Eu não sei o que dizer do futuro do Xbox. Nas últimas semanas, a escolha por uma cabeça para Devices saiu do gênio de marketing de jogos — Don Mattrick, que foi para a Zinga – para alguém que deve ter jogado um game de Xbox, digamos, uma vez na vida. Pelo menos, Larson-Green não vai cometer os mesmos erros de lançamento que bagunçaram a vida de Mattrick nos últimos meses na Microsoft. Talvez.
O que me parece certo: a Microsoft tem sido muito bem sucedida em ordenhar suas velhas vacas sagradas e lançar novos produtos lucrativos. Eu espero que a Microsoft, por si só, continue a se dar bem e que a reorganização realmente funcione. A velha guarda está mudando, velhos produtos estão morrendo. Essa reorganizacão demonstra, pelo menos, que a Microsoft foi esperta o bastante para mudar o curso do barco seguindo o vento. Alguns dizem que é muito pouco e muito tarde. Eu discordo.
Via: IDG Now

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