Hugo Barra, do Google, fala sobre revoluções de software e hardware em São Paulo

Hugo Barra

Em uma palestra em que pouco foi dito sobre o Google ou sobre o Android, sistema operacional mobile utilizado hoje por quase 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo e pelo qual é um dos principais responsáveis, o mineiro Hugo Barra, atual vice-presidente mundial do Google, falou sobre aquelas que considera as três revoluções tecnológicas mais importantes que estão em curso no mundo. Hugo foi o convidado principal do INFOtrends, evento promovido pela revista INFO e que acontece hoje (02) em São Paulo.

A primeira dessas revoluções tecnológicas apontadas por Hugo é sobre os ganhos exponenciais em computação que vivemos atualmente, com máquinas sendo desenvolvidas cada vez mais à semelhança do cérebro humano. Segundo ele, as máquinas atuais são capazes de utilizar a nossa maneira de realizar conexões de informações para reconhecer padrões de forma mais eficiente.

Esse tipo de processamento, chamado de Computação Neural, já é algo antigo, mas só recentemente ganhou poder de computação suficiente para ser bem utilizado. O próprio Google já utiliza a tecnologia em ferramentas como a Highlight, função adicionada recentemente à rede social Google Plus. Ela seleciona automaticamente fotos consideradas “melhores” através de uma compreensão que se assemelha à humana, definindo o que seria esteticamente superior (mais nítido ou com melhores cores, por exemplo).

Hugo Barra

“Nós estamos vivendo uma era de ganhos exponenciais em quase todos os aspectos de hardware e software”, afirma Hugo Barra (foto: Divulgação/ Marcelo Spatafora)

E essas redes são capazes até de compreender conceitos abstratos. A própria ferramenta da busca do Google Plus, por exemplo, já consegue encontrar fotos que representem palavras como “jantar”, “Natal” e “casamento”, identificando elementos não concretos da foto. Chamada de “deep learning” (ou aprendizado profundo), a tecnologia também está sendo aplicada na busca de voz do Google Now, que melhorou em 25% sua capacidade de reconhecimento somente nos últimos 12 meses.

Hugo diz não acreditar que esse tipo de avanço de reconhecimento e aprendizado de máquinas seja algo que deva ser temido pelo ser humano, mas sim apenas mais uma capacidade de computação à nossa disposição. “A computação, desde o principio, sempre foi importante para o ser humano. Essa ideia de que computadores possam tomar conta não tem fundamento nenhum, a gente cria a tecnologia para o que a gente quer, é uma extensão do nosso alcance”, afirmou.

Uma segunda revolução é a de hardware, que se torna cada vez mais rápido, barato e, mais importante, cada vez mais conectado na nuvem. Para Barra, o Google Glass é um dos principais representantes atuais dessa revolução, que poderá atingir o total de sua exponencialidade e capacidade quando desenvolvedores começarem a criar novas funções e usos para o gadget. “Quando sair o kit de desenvolvimento, a gente vai ver a revolução que esse tipo de tecnolgia proporcionará, porque isso vai dar asas à imaginação de desenvolvedores”, disse.

Para ele, a wearable computing (nome dado a dipositivos de computação como o Google Glass e a relógios de pulso inteligentes, que são vestidos pelo usuário) não é algo exclusivo para aficionados por tecnologia,  mas produtos de massa “muito mais interessantes do que várias tecnologias que estão por aí”. Para ele, o único motivo pelo qual estes dispositivos ainda não são mais populares é pela questão de disponibilidade.

A terceira revolução, apelidada de “a era dos gadgets” por Barra, deve tornar muito mais fácil a criação e produção de gadgets por qualquer pessoa. Esse fenômeno se aproveita de plataformas de desenvolvimento simples e baratas como o Arduino e o Raspberry Pi, além do fenômeno do financiamento coletivo. As impressoras 3D, cada vez mais acessíveis, também devem alavancar o desenvolvimento da parte mecânica destes gadgets. “Sem dúvida nenhuma, não existe nada hoje que impeça um desenvolvedor brasileiro de colocar um projeto no Kickstarter e com uma impressora 3D começar a empreender”, sugere o vice-presidente. “Essa revolução de hardware traz uma revolução de inovação do ponto de vista do empreendedor”.

Isso deve gerar uma série de novos dispositivos simples e altamente especializados que, conectados à nuvem, devem modificar a forma como lidamos com a computação no nosso dia a dia. Estas novas possibilidades devem levar a uma mudança radical dos processos utilizados hoje e, principalmente, na forma com que lidamos com negócios. Neste sentido, Hugo deixa um alerta: “Reinvente seu negócio antes que o próximo o faça”.

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