Opinião: caso de falta de privacidade no Gmail é muito barulho por nada

Por aparentemente admitir que os usuários do Gmail não deveriam ter “nenhuma expectativa de privacidade” sobre o serviço, a equipe jurídica do Google criou uma pequena “dor de cabeça” em um momento inoportuno.
A citação acima vem de uma ação coletiva, na Califórnia, que supostamente alega que o Gmail viola as leis de escutas telefônicas quando verifica as mensagens para entregar publicidade direcionada.
Ninguém está dando muita atenção ao caso em si (a empresa argumentou que se ela não for capaz de verificar o conteúdo das mensagens, então ela também não poderia realizar funções vitais do serviço, como a busca). O que tem atraído a atenção do grupo de defesa da Consumer Watchdog, e de sites como o RT e Gizmodo, é uma única citação:
“Assim como o remetente de uma carta a um colega de trabalho não pode se surpreender se o assistente do destinatário abrir a carta, as pessoas que usam e-mails baseados na web, hoje, não podem ficar surpresas se suas mensagens são processadas ​​pelo provedor de e-mail do destinatário no curso da entrega. De fato, ‘uma pessoa não possui expectativa legítima de privacidade na informação que ela transmite voluntariamente a terceiros’.”
Parece ruim, mas como o site The Next Web observa, a parte mais condenável da frase não foi dita pelos advogados do Google. 
Ela vem, de fato, de um caso de 1979 do Supremo Tribunal Federal dos EUA (Smith vs. Maryland), em que uma empresa de telefonia foi acusada de violar escutas telefônicas quando instalou registros para rastrear números discados. 
Em sua decisão, o juiz observou que “sempre considerou que uma pessoa não tem a expectativa legítima de privacidade na informação que ele transmite voluntariamente a terceiros.” Essa é a palavra do Supremo Tribunal Federal em 1979; o Google está apenas citando o caso para seus próprios argumentos.
Você já abriu mão da sua privacidade
Não que isso importe. Todo o alvoroço em cima de quem realmente proferiu as palavras “nenhuma expectativa legítima de privacidade” não é tão importante quanto o fato de que isso é bem verdade. 
Dê uma olhada na política de privacidade do Google (recentemente atualizada, por sinal), e você verá que já concedeu à empresa o direito de vasculhar suas coisas. Sim, a política menciona explicitamente que ela fará isso para exibir anúncios personalizados.
Talvez o mais preocupante: você verá que o Google entrega dados pessoais dos seus usuários quando se faz necessário para “cumprir qualquer lei, regulamentação, processo legal ou solicitação do governo”. Praticamente todas as grandes empresas de tecnologia incluem cláusulas semelhantes em seus próprios termos de serviço.
Pode ter parecido tudo bem há um tempo atrás, quando achávamos que o governo precisava de uma autorização para obter dados dos usuários, ou pelo menos teria acesso estreitamente limitado se não tivesse um. Mas agora, há todos os tipos de situações em que a NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA) pode examinar os dados pessoais dos usuários, mesmo que eles estejam dentro dos Estados Unidos e não são suspeitos de um crime.
Textos legais à parte, desistimos da nossa “expectativa legítima de privacidade” quando deixamos o governo expandir seus poderes de vigilância. Ao citar um antigo caso da Suprema Corte, o Google está apenas nos lembrando do que já deveríamos saber.
E aí, o que você acha disso tudo? Deixe sua opinião nos comentários abaixo.
Via: IDGNow

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