Dell torna-se uma empresa privada. Acionistas aceitam proposta de US$ 24,9 bi

A Dell está a caminho de ser novamente uma empresa privada, com capital fechado. Os acionistas da companhia votaram hoje a favor da aprovação da proposta de compra das ações pelo valor de US$ 24,9 bilhões feito pelo fundador e CEo da empresa, Michael Dell, e a firma de investimentos Silver Lake Partners.
Os acionistas vão receber 13,75 dólares por ação, em dinheiro, além de um dividendo adicional também em dinheiro de 13 centavos por ação, totalizando 13,88 por ação, segundo o anúncio divulgado pela empresa nesta quinta-feira.
A transação foi aprovada pelos acionistas que detem a maioria das ações extraordinárias, disse a companhia. Para Michael Dell, a votação marca a vitória após uma longa e cruel briga para tornar sua empresa privada novamente. A briga, alimentada especialmente pela oposição do megainvestidor Carl Icahn, foi vista pelos analistas de mercado como prejudicial à companhia e ao seu valor de mercado, pois gerava incerteza.
“Estou feliz com o resultado final e reenergizado para continuar a construir um futuro para Dell no qual ela possa ser vista como uma líder de mercado provedora de soluções escaláveis de tecnologia de ponta a ponta”, declarou o executivo. Dell acredita que tirando a empresa do mercado de ações fará com que ela sofra menos pressão de Wall Street e com isso possa tomar suas decisões de mudança sem os humores e especulações dos investidores.
No entanto, alguns analistas acreditam que agora o problema pode ter se invertido. “Ele levanta um bocado de incertezas por trás da companhia”, disse o analista Jeff Kaplan, diretor e fundador da empresa Thinkstrategies. “Incertezas afastam as pessoas”, disse Kaplan. “Vimos um declínio dramático na demanda por serviços da Dell. Dada a mudança radical nas preferências dos consumidores de PCs e no comportamento geral de compras, quanto mais cedo eles implementarem a nova estratégia, melhor a possibilidade de serem bem sucedidos.”
Um longo caminho
Em 5 de fevereiro a empresa anunciou a primeira proposta de Michael Dell e dos investidores da Silver Lake, que ofereciam 24,4 bilhões de dólares, ou 13,65 dólares por ação, para comprar a companhia. A oferta, sujeita a aprovação dos acionistas, incluia um empréstimo de 2 bilhões da Microsoft e um financiamento do débito apoiado pelo Bank of America, RBC Capital Markets, Merrill Lynch e  Barclays.
Depois da oferta inicial a empresa começou um processo de “ir às compras” durante 45 dias, convidando outros interessados a fazer contraofertas à oferta inicial. Em 25 de março, a Dell anunciou que dois grupos – um liderado pelo Blackstone Group e outro pelo megainvestido Carl Icahn – teriam feito contrapropostas para comprar a Dell. A Blackstone ofereceu 14,25 por ação, enquanto Icahn e seus afiliados ofereceram 15 dólares por ação.
Depois de um tempo, o grupo Blackstone voltou atrás em sua proposta, alegando que o mercado de PCs estava erodindo e argumentando sobre o perfil financeiro da companhia. Icahn e o grupo Southeastern fizeram múltiplas contraofertas de maio até julho, variando as oportunidades para os investidores, mas um comitê especial apontado pelo board da Dell para rever as propostas manteve-se a favor da proposta de Michael Dell e levantou dúvidas sobre a origem do dinheiro que poderia financiar a proposta alta de  Icahn.
Sob pressão de Icahn, no entanto, Dell e seus associados adoçaram a proposta inicial oferecendo 13,75 dólares por ação e um dividendo especial de 13 centavos. Novas regras de votação foram definidas para o encontro final e o comitê aceitou não contabilizar as abstenções como votos contra, que era a prática usual. Nesta segunda-feira, Icahn e seus associados jogaram a toalha e anunciaram que desistiriam de comprar a empresa, o que deixou na mesa apenas a proposta de Michael Dell para ser votada.
Michael Dell fundou a empresa em 1984 e fez sua reputação como um grande fabricante de computadores pessoais. Nos anos recentes, o foco da Dell mudou para o mercado corporativo e a companhia fez várias compras de empresas para complementar sua oferta de hardware, software e serviços. Embora lucrativa, a mudança da companhia do segmento de PCs para o segmento de enterprise ainda precisa ser traduzida em resultados financeiros fortes e os investidores perderam sua paciência.
Ao privatizar a empresa, Michael Dell espera sair dos holofotes de Wall Street e mover a empresa para um caminho de crescimento de longo prazo mesmo que enfrente alguns trimestres mais duros. A Dell tem mantido que as divisões de PC e negócios corporativos vão se manter intactas mesmo após a privatização, mas os analistas argumentam que o negócio de PCs pode ser a primeira pedra do dominó a cair se a companhia for reestruturada na privatização.
A estratégia da Dell é muito parecida com a da IBM, Hewlett-Packard e Oracle, cuja oferta de software, hardware e serviços faz parte de uma estratégia de ofertas integradas. A Dell tem tido sucesso no mercado de médias empresas e está afiando seus pacotes de hardware e software na medida em que as companhias se movem para infraestrutura de TI com virtualização e cloud computing.
Via: IDGNow

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