Pro Evolution Soccer 2014 – A estreia da Fox Engine

Na época do PlayStation 2, quando a série ainda se chamava Winning Eleven aqui no Brasil, Pro Evolution Soccer era sucesso de público e crítica, batendo o rival FIFA ano após ano. Mas a história mudou com a chegada da atual geração de consoles. A EA Sports trouxe uma engine nova para seus jogos de futebol e, com isso, tomou o trono de “rei” do gênero.

A série da Konami, que assumiu de vez o nome Pro Evolution Soccer nos mercados ocidentais, não conseguiu se encontrar, e tem amargado notas e vendas ruins. Quer dizer, a série tem vendido mal lá fora, pois aqui no Brasil PES continua indo muito bem. Tanto que PES 2012 e PES 2013 foram os jogos mais vendidos do país no ano passado.


Mas a verdade é que, em muitas regiões – inclusive no Brasil – a série vem perdendo mercado. E para esquecer esse período em baixa da série, a Konami aposta em uma nova engine para PES 2014. Só que não é qualquer engine. O novo jogo da série pega emprestada a Fox Engine, desenvolvida pela Kojima Productions, e da qual muito tem se falado. Mas será que isso é suficiente para bater de frente com a série FIFA?

Gráficos

Os gráficos são o ponto alto de PES 2014. Nunca um jogo de futebol teve gráficos tão bons. As texturas são bem trabalhadas, permitindo que se veja detalhes como os poros da pele dos jogadores, o tecido dos uniformes e o gramado, que, dependo de quem for o mandante, pode estar bem ou mal cuidado. Efeitos de iluminação incríveis são proporcionados pela nova engine, o que faz com que as cores apresentadas sejam bastante realistas. Os uniformes agora são totalmente separados do corpo dos atletas, e se mexem bastante, como é de se esperar num jogo de futebol.

As animações, que foram o ponto fraco da franquia nos últimos anos, estão completamente renovadas. Se em jogos passados elas eram robóticas, agora são muito mais naturais. A Konami escolheu cerca de 100 jogadores para representá-los com mais fidelidade, inclusive no modo de correr e em suas habilidades próprias. Isso faz com que atletas como Ibrahimovic, Pirlo, Messi e os brasileiros Neymar e Thiago Silva tenham enorme semelhança com suas contrapartes reais.


O lado ruim é que não houve tempo de retrabalhar a maioria dos jogadores para a engine nova. Isso fez com que muitos jogadores conhecidos ficassem com rostos genéricos, que muitas vezes nem lembram o atleta real. Um exemplo é o zagueiro Lúcio, do São Paulo, que ganhou dreads e um bigode em PES 2014. 

esse é o Lúcio que foi titular da seleção brasileira por anos
 Sim,

Outro problema é que os ótimos gráficos esbarram nas limitações da geração atual de consoles, e talvez numa falta de tempo para otimização do jogo por parte da Konami. Por isso, queda de frames são bem comuns durante os replays. O lado bom é que nada disso afeta a jogabilidade, e o jogo roda tranquilamente nas parte em que controlamos os jogadores. Outro ponto negativo é o menu. Ele está mais funcional do que no ano passado, mas ainda é confuso. Sem contar que os tempos de carregamento são relativamente demorados.

Jogabilidade

PES 2014 toma um caminho completamente diferente dos jogos recentes da série. O estilo arcade foi deixado para trás, e o jogo está mais lento, parecido com o rival FIFA. É preciso trabalhar bem as jogadas para conseguir chegar ao gol adversário. Isso é uma notícia ruim para os fãs que começaram a gostar da série exatamente pelo estilo mais casual adotado nos últimos anos. O jeito é ir no menu e alterar a velocidade de jogo para “+2”, o que deixa as partidas bem mais diretas.

Foram promovidas mudanças na maneira em que a bola se comporta, geralmente para melhor. Agora há mais liberdade no controle de bola, que agora está dissociada do movimento do jogador. Isso quer dizer que os dribles estão mais complexos, pois é possível controlar o deslocamento do peso do jogador e a bola separadamente. A física da bola está bastante realista, e lançamentos, passes e chutes se comportam, na maioria dos casos, como deveriam.


Falando em lançamentos e chutes, há novos esquemas de controle para ambos. No lançamento em profundidade avançado, um alvo aparece no campo, e, com o analógico esquerdo, é possível movê-lo, o que dá mais variedade ao passes. O chute avançado funciona da mesma maneira, só que o alvo aparece no gol, logicamente. O esquema clássico de controles ainda está disponível, e aqui é chamado de “básico”. Outro comando muito bem-vindo é o de cabecear a bola em direção ao chão.

Para se acostumar mais rápido com os novos comandos – e até aprender outros – vale a pena visitar os ótimos tutoriais do jogo, que são feitos através de pequenos exercícios. Só é uma pena que o “Challenge Mode” dos treinamentos, uma das partes mais divertidas de outras versões, tenha ficado de fora.


Já na parte dos dribles, há um novo sistema, que são as fintas automáticas. Elas funcionam bem e permitem que se faça dribles mais avançados ao combinar um movimento simples no analógico direito com outro no esquerdo. Mas há um certo problema com o tempo de resposta dos jogadores. Não é raro se apertar o botão de passe ou de chute e ver o jogador dar mais 1 ou 2 toques na bola antes de executar o comando. Claro que é possível realizar essas jogadas de primeira, mas é necessário apertar o botão muito antes do atleta receber a bola. Outra situação rara é a de jogadores que chutam a bola desequilibrados, quase caindo. É uma situação relativamente comum em uma partida de futebol, mas que dificilmente se vê em PES.

Áudio

A parte sonora de PES 2014 foi bem trabalhada, e a atmosfera nos estádios está excelente. A torcida reage tal qual uma torcida real, comemorando um carrinho bem dado e protestando contra uma falta marcada a favor do time adversário. A quantidade de times que possuem gritos específicos de torcida é bem grande, e até a times que lutam na parte de baixo da tabela, como o Criciúma, por exemplo, possuem os cantos de sua torcida representados.

A narração e os comentários, como tem sido nos últimos anos, são da dupla Silvio Luiz e Mauro Beting. A quantidade de jogadores e equipes que possuem seus nomes gravados aumentou bastante, e agora inclui vários atletas brasileiros, inclusive de times de menor expressão e até reservas. O estilo característico de Silvio Luiz divide opiniões, mas não há como negar que ele traz mais empolgação – e um estilo diferenciado – ao jogo.

A trilha sonora é a parte negativa do áudio. Não que as músicas sejam ruins, mas falta variedade. Elas até trazem um pouco do clima de uma partida de futebol, só que acabam ficando repetitivas com o passar do tempo. O lado bom é que é possível importar sua própria lista de canções para o jogo.

Multiplayer

Talvez o multiplayer seja o ponto fraco do jogo, pelo menos na parte online. Os problemas começam pela falta de modos disponíveis. Por enquanto, só é possível jogar amistosos (rankeados ou não) e a Master League Online, que, assim como no ano passado, está bem interessante e profunda, com potencial para garantir meses de diversão. Mas ainda assim falta uma maior variedade de modos de jogo.

Vale notar que, para resolver isso, há a promessa de mais modos no futuro, que virão através de patches. Eles incluem o modo torneio e, pela primeira vez na série, o 11 vs 11, onde cada usuário controla apenas um atleta. Já para quem quer jogar de maneira local, com os amigos, a série PES continua ótima como sempre. Seja numa partida normal, num torneio criado ou até de maneira cooperativa, o jogo funciona muito bem.

North London x London FC

Quem joga PES há algum tempo, já decorou que esse confronto aí de cima é a versão da série do clássico londrino entre Arsenal e Chelsea. Esses jogadores também sabem que há um ótimo modo de edição para suprir esse problema. Mas esse problema acaba atingindo os jogadores mais casuais, que gostariam de ir direto à partida, sem enrolação. Sem contar que a falta da liga alemã, por exemplo, faz com que seja impossível de jogar online com times da primeira divisão do país, com exceção dos três que estão na seção “resto da europa”.

Outra questão é a falta de estádios, pois só há 20 estádios no jogo, sendo que cinco são genéricos. Isso porque a Konami perdeu as licenças de todos os estádios da Espanha para a EA Sports, que agora possui exclusividade sobre eles. Isso fez com que o editor de estádios – que poderia resolver o problema – fosse removido também, pois ele usava parte das arenas espanholas.

No departamento de licenças, a situação está favorável para os fãs do futebol sul-americano. Não só há dois estádios brasileiros no jogo – Vila Belmiro e Morumbi – como estão presentes 24 times de nosso país – os 20 da série A mais Palmeiras, Figueirense, Sport e Atlético-GO. Os estádios argentinos Monumental de Núñez (River Plate) e La Bombonera (Boca Juniors) também marcam presença, junto com todos os clubes da primeira divisão da Argentina. Além disso, os times da elite do Chile fazem sua estreia no jogo. Sem contar a Copa Libertadores da América, que está 100% licenciada.
Nos modos de jogo, não há muitas novidades, apenas pequenas melhorias. A maior mudança vem na tradicional Master League, onde agora é possível trocar de equipes e até treinar seleções, o que traz bastante variedade ao modo. Já o Rumo ao Estrelato (Become a Legend, em inglês) continua sem grandes mudanças, tirando o fato de que agora é possível se tornar goleiro também.

Conclusão 

A chegada da Fox Engine traz PES definitivamente de volta à briga pelo título de melhor jogo de futebol. As novidades que o game traz em termos de gráficos e de jogabilidade se mostram bastante interessantes, e fazem com que o jogo até supere a série FIFA em alguns aspectos. O problema é que o game ainda carece de refinamentos e, principalmente, de muita otimização. 

Entre o problema de queda de frames e pequenas falhas na jogabilidade, há muito o que ser corrigido para PES 2015. Mas também há um ótimo jogo, que recompensa os que se empenharem em aprender os novos comandos e a nova forma de jogar, que é mais cadenciada. PES 2014 mostra-se muito competente, mas, por causa de alguns problemas, ainda não o suficiente para ser considerado o melhor da série.

Prós
  • Ótimos gráficos
  • Jogabilidade realista e profunda
  • 24 clubes brasileiros
  • Atmosfera dos estádios
Contras
  • Queda de frames
  • Jogadores podem demorar para reagir aos comandos
  • Poucos modos multiplayer
  • Faltam licenças de clubes europeus



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